Trivela

A turminha do PSG (Foto: Getty Images)

Por Felipe dos Santos Souza

Se o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões fosse feito tão logo a temporada anterior se encerrasse, seria mais fácil fazer os prognósticos: provavelmente, o Bayern seria apontado como vencedor do grupo, com o Paris Saint-Germain vindo na segunda posição. Mas no meio do caminho havia a janela de transferências. E foi nela que o PSG decidiu se fortalecer. Era algo necessário, após a eliminação vexatória (ainda que com arbitragem duvidosa) nas oitavas de final da Champions passada.

Com o mecenas Nasser Al Khelaifi liberando quanto dinheiro fosse necessário, o clube parisiense gastou. Precisava de um protagonista? Pois bem: veio Neymar, na transferência mais cara da história do futebol. Precisava de espírito vencedor? Veio Daniel Alves, de títulos e mais títulos. Kylian Mbappé é dos jovens mais cobiçados do futebol no mundo, atualmente? Foi mais um contratado.

Inegavelmente, o Paris roubou a cena. E diante do bom começo no Campeonato Francês – e das dúvidas que o Bayern causa com o começo claudicante de temporada -, dá para se pensar num cenário com a equipe de Unai Emery terminando a fase de grupos na primeira posição. De todo modo, e de certa forma, a aposta segue a mesma: Bayern e PSG virando o ano nas oitavas de final, Anderlecht e Celtic disputando as sobras. Só o “líder” mudou.

Jogador chave

Neymar (Paris Saint-Germain)

Neymar na sua apresentação no PSG (Photo by Aurelien Meunier/Getty Images)

Neymar na sua apresentação no PSG (Photo by Aurelien Meunier/Getty Images)

Um valor: 222 milhões de euros. Um desejo pessoal (embora desmentido oficialmente): o desafio de liderar uma campanha para dar ao Paris Saint-Germain o respeito mundial tão desejado e tão distante, atualmente. Para isso, o PSG encantou Neymar e seu estafe. E o brasileiro aceitou tornar-se o jogador por quem mais dinheiro foi gasto no futebol mundial. Tornou-se mais: o protagonista do grupo B. A chave com a qual o Paris Saint-Germain espera abrir as portas dos títulos que realmente valem.

Contratação

Corentin Tolisso (Bayern de Munique)

Tolisso, do Bayern de Munique (Foto: Getty Images)

Tolisso, do Bayern de Munique (Foto: Getty Images)

Diante de tantas contratações de vulto do Paris Saint-Germain, as ambições do Bayern de Munique pareceram até modestas. No entanto, o clube vermelho também fez as suas apostas para um time já relativamente envelhecido. E aquela em quem mais fé é colocada é Tolisso. Com boas atuações pelo Lyon, o meio-campista francês só não foi a venda mais valiosa da história dos Gones porque Alexandre Lacazette quebrou o recorde dias depois. O camisa 24 dos bávaros terá a função de melhorar a criação de jogadas – e ampliar a opção de escalações para Carlo Ancelotti, tantas são as posições em que pode jogar. Caso consiga, deve ser mais um francês badalado no futebol.

Fique de olho

Kylian Mbappé (Paris Saint-Germain)

Mbappé, do PSG (Foto: Getty Images)

Mbappé, do PSG (Foto: Getty Images)

Para onde iria Kylian Mbappé? Por muito tempo, o Real Madrid foi o palpite mais falado. Só que o Paris Saint-Germain decidiu falar grosso novamente. Se já tinha o maior valor de euros gastos num só jogador, com Neymar, o clube parisiense ficou com o segundo maior valor também: por 145 milhões (mais 35 milhões de bônus), enfraqueceu o Monaco e fortaleceu seu ataque com Mbappé, “emprestado” nesta temporada para ser comprado na próxima. Merece as apostas? A julgar pelo protagonismo exercido na campanha de 2016/17, levando os monegascos à semifinal da Liga dos Campeões, e pelo que já mostrou em suas partidas iniciais na seleção francesa… a princípio, sim, Mbappé merece. A ver se continuará merecendo.

O brasileiro

Daniel Alves (Paris Saint-Germain)

Daniel Alves no PSG (Foto: divulgação)

Daniel Alves no PSG (Foto: divulgação)

O lateral direito não se cansa de surpreender quem acompanha sua carreira. Após sete anos vitoriosos no Barcelona, ir para a Juventus após se desgastar com a diretoria azul-grená parecia um passo em falso. Se todo “passo em falso” fosse assim… Daniel foi um dos galvanizadores das ações ofensivas bianconeras em 2016/17, e ainda ganhou em poder de marcação, tornando-se um dos protagonistas da campanha que levou a Velha Senhora a mais um título italiano e a mais uma final de Liga dos Campeões. De quebra, apagou as dúvidas sobre si e voltou a ser considerado absoluto na lateral direita da Seleção Brasileira. Suficiente? Não: o baiano de Juazeiro rompeu com a Juve por vontade própria, fez que ia para o Manchester City, e foi para o Paris Saint-Germain, onde tentará se manter como a referência vitoriosa de que o clube precisa.

História

Nas quartas de final se faz, nas quartas de final se paga. Assim poderia ser a versão do famoso dito popular para Bayern de Munique e Anderlecht. Na temporada 1985/86 da então Copa dos Campeões, os bávaros encontraram os Mauves nessa fase da competição. Já com uma base entrosada (Jean-Marie Pfaff, Klaus Augenthaler, Lothar Matthäus e Dieter Hoeness como destaques), os bávaros fizeram 2 a 1 na ida, no Olímpico de Munique. Aí, o equilíbrio maior daquela época se fez notar: na volta, em 19 de março de 1986, no Parc Astrid, os Roxos belgas mostraram o tamanho da técnica que possuíam. A equipe contava com Morten Olsen como líbero, e três quartos do meio-campo da seleção da Bélgica que chegaria ao quarto lugar na Copa do Mundo daquele ano: Frank Vercauteren, René Vandereycken… e Vincenzo Scifo, que abriu o placar aos 39 minutos do primeiro tempo. Aos 44, Per Frimann reverteu a vantagem do Bayern, e o Anderlecht foi às semifinais com o 2 a 0.

A vingança foi um prato que o Bayern comeu frio, com data certa. Precisamente, em 4 de março de 1987, no jogo de ida. Outra vez, nas quartas de final da Copa dos Campeões. Outra vez, contra o Anderlecht. Outra vez, na Alemanha. Mas daquela vez a vitória vermelha foi praticamente impossível de ser revertida: goleada por 5 a 0 no Olímpico de Munique. Michael Rummenigge abriu o placar aos 15 minutos do primeiro tempo, Dieter Hoeness marcou duas vezes, e a vitória tornou o jogo de volta mera formalidade (empate por 2 a 2 em Bruxelas, em 18 de março). Daquela vez, o Bayern pôde sorrir com a vaga nas semifinais.

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