Trivela

Grupo F: Manchester City, Napoli, Feyenoord e Shakhtar Donetsk

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12 de setembro de 2017 às 1:08

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Por Felipe dos Santos Souza

Cada vez mais, sonhar com a vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões virou possibilidade quase privativa para os clubes vindos dos potes 1 e 2 do sorteio, salvo alguma surpresa. Não é diferente no grupo F, em que Manchester City e Napoli são claros favoritos. Ainda assim, apenas um deles está sob pressão: o City. Também, pudera. Para um time cheio de gente capaz de decidir jogos, para um time que estendeu tapete vermelho para Pep Guardiola provar de novo por que é considerado um técnico que mudou paradigmas no futebol, cair nas oitavas de final em 2016/17 decepcionou.

A solução para isso? Gastar muito em algumas posições. Que o diga primeiramente Benjamin Mendy, promissor lateral esquerdo tirado por 57 milhões de euros, justamente do Monaco que eliminou os Citizens na Champions passada. Depois, podem falar algo sobre os gastos com Kyle Walker, trazido do Tottenham para a lateral direita por 51 milhões de euros, e Ederson, que veio do Benfica como o segundo goleiro a custar mais na história do futebol (40 milhões de euros). De resto, espera-se que os conhecidos de sempre – Kevin de Bruyne, Leroy Sané, Sergio Agüero, Gabriel Jesus – ajudem o lado azul de Manchester a cumprir as expectativas desta vez.

De resto, caberá ao Napoli ser um adversário principal dos mais valorosos, contando com um estilo tático ofensivo, por graça de Maurizio Sarri e obra dos bons atacantes que a equipe possui – Lorenzo Insigne, Dries Mertens e Arkadiusz Milik, de volta após lesão -, secundados por um Marek Hamsik cada vez mais cultuado pelos torcedores partenopei. De volta à fase de grupos de uma Liga dos Campeões após 14 anos, o Feyenoord sofreu algumas perdas, mas as repôs bem, e pode aspirar ao “prêmio de consolação” na Liga Europa. Talvez até mais do que a incógnita Shakhtar Donetsk.

Jogador chave

Marek Hamsik (Napoli)

(Foto: Getty Images)

Hamsik, do Napoli (Foto: Getty Images)

“Como assim? E Kevin de Bruyne, não é fundamental para o Manchester City?” Sim, o meio-campista belga é. Mas, bem ou mal, De Bruyne divide o protagonismo com outros na equipe inglesa. No Napoli, dá para dizer que o ataque só aparece mais porque Marek Hamsik tem liberdade para criar as jogadas. E para finalizá-las também, como mostram os 12 gols marcados pelo Campeonato Italiano, na temporada passada – todos somados, são 113 gols que o deixaram à beira de se tornar o maior goleador da história partenopea, superando Diego Maradona. De quebra, ainda que seja a segunda opção para capitão, Hamsik tem voz de comando indiscutível na equipe, pelos dez anos completos em San Paolo e os 457 jogos que o tornam o terceiro jogador a mais ter vestido a camisa napolitana. O Napoli sabe: se puder sonhar em superar o Manchester City no grupo (e pode), o meio-campista eslovaco será fundamental para isso.

Contratação

Ederson (Manchester City)

Ederson, do Manchester City (Foto: Getty Images)

Ederson, do Manchester City (Foto: Getty Images)

O Manchester City pensou que não teria problemas com goleiros em 2016/17, após tanto esforço para trazer Claudio Bravo e agradar “Pep” Guardiola. Pois teve: o arqueiro chileno foi comum com a bola nos pés e inseguro com ela nas mãos. Precisando terminar a temporada passada com Willy Caballero no gol, o City sabia: um guarda-metas virara item de primeira necessidade. O escolhido foi Ederson.

Surgido na base do São Paulo, o goleiro brasileiro foi escolhido pelo Benfica em 2009, ainda adolescente. Após passagens por clubes menores portugueses, o paulista de Osasco começou a jogar no Benfica B em 2015 – e no mesmo ano, foi para o grupo principal benfiquista. De quebra, tirou o veterano Júlio César do time titular, e mostrou tanta agilidade (e capacidade com a bola nos pés) que convenceu o City a gastar 40 milhões de euros nele, para tentar solucionar o problema do gol. Convocado mais constantemente para a Seleção, Ederson tem a mais valiosa das chances para protagonizar uma daquelas histórias de jogador brasileiro que surge do nada, e acaba virando fundamental para clube e seleção.

Fique de olho

Tonny Vilhena (Feyenoord)

Tonny Vilhena, do Feyenoord (Foto: Getty Images)

Tonny Vilhena, do Feyenoord (Foto: Getty Images)

Está certo que o Feyenoord quase não tem esperanças de sobreviver à fase de grupos da Liga dos Campeões – as apostas creem que, no máximo, irá à segunda fase da Liga Europa, e olhe lá. Mas o Stadionclub merece respeito só por ter, enfim, voltado a ser o maior de seu país após 18 anos, conquistando o Campeonato Holandês – e reavivando a tradição, como primeiro clube holandês campeão europeu. Entre outros destaques da equipe, Tonny Vilhena merece atenção. Aos 22 anos, o meio-campista com ascendência em Angola mostra velocidade suficiente não só para criar jogadas, mas também para chegar à frente e finalizá-las. Após ter atraído o interesse de alguns clubes europeus na temporada passada, preferiu ficar no Feyenoord. Ficou e entrou para a história, com o fim do tabu na Eredivisie. Uma atuação honrosa na Champions pode reabrir as portas.

Brasileiro

Gabriel Jesus (Manchester City)

Gabriel Jesus, do Manchester City (Foto: Getty Images)

Gabriel Jesus, do Manchester City (Foto: Getty Images)

Em 2016/17, Gabriel Jesus teve um começo tão bom no Manchester City (três gols nos cinco primeiros jogos pela equipe), e mostrou maturidade tão impressionante para um novato no futebol europeu, que ganhou um salvo-conduto, caso suas atuações caíssem um pouco de produção. Salvo-conduto ampliado pela fratura no metatarso do pé direito, que o tirou da reta final da temporada. E que, se estava esquecido, foi reavivado pelos quatro gols que o paulistano marcou ao retornar, nas últimas cinco rodadas do Campeonato Inglês passado.

Porém, pela capacidade técnica mostrada desde os tempos de Palmeiras, unindo velocidade para ajudar o time a calma e precisão nas finalizações, Gabriel Jesus não precisa de salvos-condutos. Pode ser protagonista, cobrado como um adulto. E a temporada atual, na qual disputará posição a sério com Sergio Agüero, pode servir para mostrar que realmente seu começo bom indicava uma continuação melhor ainda. A julgar pelos três gols nas duas rodadas mais recentes da PremierLeague, sua capacidade de superar desafios continua intacta.

História

“Oi, sumido!”. Assim Manchester City e Napoli poderiam se cumprimentar, se pessoas fossem e não clubes: afinal de contas, ambos já têm dois encontros para lembrar numa fase de grupos de Liga dos Campeões. Em 2011/12, quando os napolitanos retornavam à competição continental depois de 20 anos, venceram os Citizens em San Paolo (2 a 1) e empataram no City of Manchester (1 a 1).

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