Trivela

Falou-se muito sobre a hipótese do Manchester City ajudar o Napoli a conseguir se classificar para as oitavas de final na Champions League. Falou-se até sobre telefonema de Pep Guardiola a Maurizio Sarri, prometendo que os Citizens fariam sua parte contra o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, para que o time italiano pudesse celebrar a vaga caso obtivesse um esperado triunfo contra o Feyenoord, mesmo em Roterdã. Nem uma coisa aconteceu, nem outra. O Shakhtar mostrou velocidade e entrosamento no ataque, superando o City, fazendo 2 a 1 e confirmando seu lugar entre os 16 que superarão o inverno europeu para chegarem às oitavas de final. E o Feyenoord surpreendeu: sem mais nada a fazer, o lanterna do grupo F saiu atrás, mas se recompôs, virou para 2 a 1 e condenou os Partenopei a se contentarem com um lugar na Liga Europa.

Mal começou o jogo no estádio Metalist, em Kharkiv, o Shakhtar já mostrou que o City teria sérias dificuldades para cumprir sua parte, se trato realmente houvesse. Já aos três minutos da etapa inicial, Taison teve sua chance. Aos 21, Marlos chegou à área pela esquerda, arrematou de pé direito, e Ederson teve de defender a bola. Finalmente, aos 26, Bernard premiou a ótima atuação que o time anfitrião mostrava até então. Aliás, premiou a si mesmo, com um belo gol: o mineiro dominou na esquerda da grande área e chutou colocado e alto, no canto esquerdo de Ederson, sem que o goleiro paulista de Osasco pudesse fazer algo. Um gol merecedor de aplausos – e da cuidadosa observação de Tite, presente no Metalist.

Aos 28, Taison teve mais uma oportunidade para ampliar, mas Ederson impediu. Não viria do atacante gaúcho o segundo gol do Shakhtar. Viria de uma jogada toda feita por outros brasileiros, aos 33 minutos da etapa inicial. Bem, “quase toda” de brasileiros: pouco depois do círculo central, o naturalizado Marlos lançou com precisão, e o lateral Ismaily passou por Ederson (que saiu correndo do gol), tocando para a meta vazia e garantindo o 2 a 0 que tranquilizava de vez a equipe ucraniana.

A bem da verdade, o City também mostrava tranquilidade. Com algumas oportunidades dadas no time titular – Phil Foden, enfim, começou um jogo -, o time inglês já começou melhor no segundo tempo. Foden e Gabriel Jesus tentaram algumas vezes, fazendo com que o goleiro Andriy Pyatov enfim trabalhasse na partida. Mas o gol só viria de bola parada, e nos acréscimos: aos 47 minutos da etapa final, Gabriel Jesus foi derrubado na área por Vitaly Butko, o pênalti foi marcado, e coube a Sergio Agüero converter a cobrança para o gol de honra. E eram poucas as razões de lamentação ao final do jogo. O City perdeu sua invencibilidade, sim (como Gabriel Jesus, aliás: após 42 jogos, desde outubro de 2016); mas já cumprira seu papel, com o primeiro lugar do grupo F garantido. E o Shakhtar coroava uma fase de grupos até surpreendente, desbancando o badalado Napoli para abiscoitar seu lugar nas oitavas, com doze pontos e a segunda colocação.

Relaxado, Feyenoord surpreende o Napoli

Eliminado. Sem pontos nas primeiras cinco rodadas. Sem chances nem mesmo para ter lugar na Liga Europa. Com desfalques importantes, como Karim El Ahmadi. Até com uma lesão de última hora – Miquel Nelom, lateral esquerdo, que deu lugar ao novato Tyrell Malacia. Com tudo isso, o Feyenoord mostrou enfim uma atuação digna na Champions League. Saiu rapidamente atrás no placar contra o Napoli, mas soube reagir até a uma expulsão, conseguindo uma vitória por 2 a 1 – para, pelo menos, ter alguma honra em sua despedida do torneio.

No começo do jogo, até parecia que o Napoli cumpriria sua obrigação para ainda tentar a vaga nas oitavas de final: logo aos dois minutos da etapa inicial, após cruzamento que a zaga tentou tirar da pequena área, Piotr Zielinski bateu forte, no alto do goleiro Kenneth Vermeer (substituto do australiano Brad Jones), para fazer 1 a 0. Pouco depois, Tonny Vilhena tomou um cartão amarelo, e o Stadionclub parecia inseguro. Tudo isso acabou aos 33 minutos, quando Nicolai Jorgensen deu alguma esperança. O atacante dinamarquês empatou o jogo, completando cruzamento de Steven Berghuis (e aproveitando a falha de Raúl Albiol, diga-se).

No segundo tempo, o Feyenoord seguiu equilibrando o ritmo, mesmo sem trazer riscos à meta de Pepe Reina. No final, aos 38 minutos, quando Vilhena levou o segundo cartão amarelo e foi expulso, parecia que o 1 a 1 ficaria no placar. Mas a única atuação digna de nota que o clube holandês teve em toda a Liga dos Campeões foi premiada nos acréscimos: aos 46 minutos, após escanteio, Jean-Paul Boëtius desviou de cabeça, e Jeremiah St. Juste, também com a testa, mandou no canto esquerdo, sem que Reina pudesse esboçar reação. 2 a 1 – e Napoli tendo apenas a Liga Europa na alça de mira.

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