Trivela

Ásia/Oceania

Quando Tim Cahill marcou seu primeiro gol pela Austrália, na vitória por 2 a 1 sobre a Síria, pela repescagem asiática, e correu em direção ao canto do gramado, todos imaginavam que ele realizaria sua tradicional comemoração, fingindo lutar boxe com a bandeirinha de escanteio. Em vez disso, a lenda australiana preferiu abrir os braços e imitar um avião. Repetiu esta comemoração no seu segundo tento, na prorrogação, que garantiu a passagem da sua equipe para a repescagem mundial.

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O narrador até deu uma inventada na hora, dizendo que Cahill preferiu “voar para os braços dos companheiros”, mas, na realidade, as comemorações do veterano foram patrocinadas por uma agência de viagens chamada Trip a Deal. Além dos aviões, Cahill fez um “T” com as mãos – que, na hora, todos acharam que pudesse ser referência ao seu primeiro nome.

No Instagram, a empresa publicou: “Você viu @Tim_Cahill, embaixador da nossa marca, fazendo o ‘T’ do TripADeal, depois de marcar o gol da vitória na noite passada? Parabéns, Tim!”, escreveu a agência. Cahill respondeu a publicação com uma série de emojis de avião e incluiu a patrocinadora na mensagem que colocou na sua própria rede social comemorando a vitória. A publicação da TripADeal foi posteriormente deletada do Instagram.

Em um comunicado enviado ao australiano The New Daily, a Federação de Futebol da Austrália afirmou que as comemorações de Cahill não violaram as leis do jogo. Em 2012, porém, Bendtner foi multado pela Uefa por fazer propaganda na cueca. Essa mesma publicação conversou com um especialista de marketing da Universidade de Camberra, Shaun Cheah, que não vê nada de errado nas ações de Cahill. “Isso não é nada novo, e o fato de que foi tão escancarado, mostra que não é um problema. É aceito. Se você olhar como algumas empresas escrevem seus contratos, isso pode ter sido uma das coisas que pediram para que ele fizesse”, opinou.

A situação, no entanto, abre mais uma vez o debate: será que a comercialização do futebol não foi longe demais? O que Cahill fez contra a Síria foi extraordinário. Aos 37 anos, virou uma partida decisiva com dois gols, um jogo que poderia impedir seu país de disputar a Copa do Mundo. Nem nessa situações podemos mais confiar que os jogadores serão espontâneos?

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