Trivela

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Embora seja o menos relevante dos campeonatos profissionais do futebol português, a Taça da Liga tem o seu charme inegável. Competição caçula no país (foi criada na temporada 2007/2008), reúne os times das duas primeiras divisões – com exceção das equipes B – e é organizada pela Federação Portuguesa, ao invés da Liga de Clubes. Na temporada passada, a própria federação injetou mais ânimo ao campeonato, promovendo pela primeira vez o Final Four, que culminou numa conquista inédita e histórica do Moreirense.

Porém, os próprios dirigentes do futebol lusitano parecem, por vezes, caminhar na contramão da ideia de tornar a competição mais atraente. Pois, ainda que os momentos finais do torneio sejam interessantes e ganhem bastante espaço na mídia, seu início é mal planejado e relegado a segundo plano.

Exemplo disso está nesta temporada. Enquanto nos principais países do mapa futebolístico europeu a bola só está rolando para amistosos e torneios de pré-temporada, em Portugal a Taça da Liga já começou e, inclusive, registrou as primeiras eliminações. A primeira fase, composta por jogos de eliminatória simples, foi disputada em 23 de julho, somente entre equipes da segunda divisão, e acabou com as esperanças de sete equipes, que perderam suas partidas (no tempo normal ou nos pênaltis) e foram eliminadas.

Vai contra qualquer bom senso expor os times, que neste momento do ano ainda estão em ritmo de preparação e até de montagem de elenco, a jogos decisivos. Assim como também não é razoável que a segunda fase seja aberta tão rapidamente, já que seis das 10 partidas estão marcadas para 30 de julho. Ela será disputada também em eliminatórias simples e já envolvendo times da primeira divisão – com exceção dos quatro primeiros colocados do Campeonato Português da temporada passada, que entram somente na fase de grupos.

À parte a questão técnica, de claro prejuízo aos clubes participantes, há ainda uma falha de marketing. Afinal, pensando friamente, é possível dizer que no dia 23 de julho foi aberta a temporada de futebol profissional do atual campeão europeu. E quase ninguém ficou sabendo.

Resolver o problema não é tão difícil. Bastaria adequar a competição ao calendário do futebol português, que nem tem tantos jogos assim – o campeonato nacional, por exemplo, é mais curto do que em muitos lugares, pois conta com apenas 18 times. E, além disso, não deixar para contar ao mundo sobre o charme da competição (na tentativa de torná-la mais atraente) somente nas rodadas finais. A evolução do futebol português passa, também, pela evolução do calendário e pela maneira como os dirigentes tratam seus próprios campeonatos.

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