Trivela

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Que a seleção principal da Holanda vive uma crise, isso o leitor já sabe há muito tempo. E ela teve nova prova incontestável na semana passada, com as rodadas das Eliminatórias da Copa de 2018. Se a seleção da França ainda tem muito o que provar, também (algo indicado pelo empate relativamente vexatório com Luxemburgo), foi incontestável o 4 a 0 dos Bleus na Oranje, quinta-feira retrasada. E ninguém, torcida ou imprensa, se deixou levar excessivamente pelos 3 a 1 sobre a Bulgária, que manteve as esperanças remotas de ir à repescagem da qualificação europeia. Com o cenário desalentador na equipe adulta, a equipe laranja sub-21 vira esperança de dias melhores. Mas mesmo essa esperança também caiu, com o mau começo holandês nas eliminatórias da Euro sub-21.

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Pois é: na equipe adulta, o que se vê são más atuações de um time que se divide entre veteranos e novatos. Os de mais idade ora se esforçam e mostram que têm algo a dar (Arjen Robben), ora têm dificuldades para encontrar ritmo (Wesley Sneijder foi tão lento contra a França que tornou inevitável sua ida para o banco contra a Bulgária; Robin van Persie entrou para jogar contra os franceses, lesionou o joelho e foi cortado). Já os novatos têm desempenhos altamente irregulares, entre o promissor – Davy Pröpper, contra a Bulgária – e o preocupante – Wesley Hoedt, contra a França. E assim, à beira de ficar fora da Copa, já começa o discurso: “Daqui a pouco a Holanda reage, daqui a pouco os garotos crescem e ganham experiência”.

Por isso, merecia alguma atenção a seleção sub-21 que também atuou nas datas Fifa. Tanto por alguns jogadores que até já estiveram na equipe principal (caso do meio-campista Bart Ramselaar), como pelo fato dela começar a disputar a qualificação para a Euro da categoria. E tendo um desafio respeitável no grupo 4, com apenas uma vaga direta para a edição de 2019, na Itália: a seleção da Inglaterra, semifinalista da Euro sub-21 realizada há dois meses – e reforçada por muita gente campeã mundial sub-20, como bem apontou Art Langeler, técnico da Jong Oranje (a “Laranja Jovem”).

Estreando na sexta passada, em Doetinchem, justamente contra a Inglaterra, a equipe treinada por Langeler teve desempenho até elogiável. Foi ofensiva e veloz no primeiro tempo contra os Young Lions – e também insegura defensivamente, como mostrou o contragolpe sofrido que levou ao gol de Dominic Calvert-Lewin para os ingleses, aos 20 minutos do primeiro tempo. Pelo menos, a velocidade continuou, e a troca de passes levou ao gol de Ramselaar para o empate, ainda aos 32 minutos, na etapa inicial. Continuando com uma atuação promissora, não faltou quem visse um consolo para as mazelas da equipe de cima no 1 a 1 dos jovens. Sensação fortalecida pelas palavras de Art Langeler: “Mostramos que a Holanda realmente tem muitos talentos, e que podemos disputar seriamente [a vaga]”.

Pois se a Holanda principal recuperou-se ligeiramente no domingo passado, foi a vez da Jong Oranje dar motivos para preocupação, na terça. Contra a Escócia, fora de casa, foi insegura defensivamente, sem conseguir a rapidez ofensiva da estreia. Segurou-se quanto foi possível, mas terminou sofrendo o 2 a 0 – para piorar, com o segundo gol escocês, de Stevie Mallan, mostrando falha do zagueiro Pablo Rosario, do PSV. Resultado: queda para a penúltima posição na chave.

Obviamente, há muito tempo para a seleção sub-21 se recuperar. Mas caso isso não ocorra, será mais um sinal preocupante para o futebol holandês. Não que apenas títulos sejam importantes para equipes jovens, mas participar do Europeu da categoria sempre é um sinal de que a reposição de veteranos será feita. E das Euros sub-21 da atual década, a Holanda participou da fase final apenas em 2013. Pior: dos titulares daquela campanha elogiável (queda para a Itália, nas semifinais), apenas Kevin Strootman e Stefan de Vrij são titulares absolutos na equipe adulta – Jeroen Zoet e Bruno Martins Indi até aparecem nas convocações, vez por outra, mas não conseguem uma sequência de atuações.

A preocupação só aumenta ao lembrar de eliminações anteriores da seleção holandesa, nas eliminatórias da Euro sub-21 – com regulamento diferente e apenas oito equipes na fase final, a Jong Oranje terminava liderando seus grupos, mas decepcionava na repescagem que definia os classificados. Para 2011, com Tim Krul, Luuk de Jong e Bas Dost titulares, queda para a Ucrânia onde jogava Yevhen Konoplyanka; e na edição retrasada, de 2015, mesmo com jogadores experientes (Terence Kongolo, Jetro Willems, Wout Weghorst), as atuações péssimas da defesa colocaram tudo a perder contra Portugal, futuro vice-campeão da categoria.

E agora, este mau começo nas eliminatórias. Que ainda pode ser consertado. Há apostas: Ramselaar, o atacante Gervane Kastaneer, até mesmo gente que pode se alternar entre seleção principal e sub-21 – como Timothy Fosu-Mensah, até chamado por Art Langeler antes da “promoção” às pressas na convocação de Dick Advocaat. Mas um novo fracasso diminuirá ainda mais as esperanças, mostrando que não bastará a confiança de que a nova geração um dia explodirá para o biênio 2020/2022. E só ampliará o desalento que vive o futebol holandês, em relação às suas seleções.

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