Trivela

Watford empatou com o Liverpool nos acréscimos (Photo by Tony Marshall/Getty Images)

Premier League

O principal problema do Liverpool nas últimas temporadas, a defesa, começou mostrando que não melhorou tanto assim. Em um jogo emocionante – mais um na Premier League, aliás –, o Liverpool foi muito bem no ataque, com três gols, um de cada atacante. Só que sofreu na defesa, tomou outros três, sendo o último nos acréscimos, e acabou só empatando com o Watford por 3 a 3. Um início que foi uma montanha russa na partida e deixa os torcedores dos Reds mais preocupados que empolgados.

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Não que o time não tenha mostrado evolução. Alguns pontos no ataque pareceram melhores. Mesmo contra um time bem organizado na defesa, o Liverpool conseguiu criar espaços e, com um ataque que é de muita qualidade técnica, fez boas jogadas trabalhadas e marcou três gols. Só que não há time que brigue pelo título com uma defesa que tenha tantos problemas quanto a que o time apresentou nesta estreia na temporada 2017/18 da Premier League. Os três gols sofridos mostram que há trabalho a fazer.

Com Philippe Coutinho machucado, o técnico Jürgen Klopp escalou o time em um 4-3-3, esquema tático que já usava na temporada passada. Simon Mignolet começou a temporada como titular, com o jovem Trent Alexander-Arnold na lateral direita, Joel Matip e Dejan Lovren na zaga e Alberto Moreno na lateral esquerda. Jordan Henderson, Emre Can e Georgino Wijnaldum formaram o meio-campo, com Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino no ataque.

O time do Watford trazia vários jogadores conhecidos por outros clubes. O goleiro Gomes, ex-Tottenham; Younes Kaboul, outro ex-Tottenham; Miguel Brittos, ex-Napoli; José Holebas, ex-Roma; Tom Cleverley, ex-Manchester United e Everton; Roberto Pereyra, ex-Juventus; e Stefano Okaka, outro ex-Roma. Isso para não falar no brasileiro Richarlison, que começou a partida no banco de reservas com a camisa 11.

A temporada é nova, o problemas não. O Liverpool sofreu com a bola área na sua defesa logo a sete minutos, quando Okaka marcou 1 a 0, de cabeça, em cobrança de escanteio: 1 a 0 para o Watford. O jogo era muito corrido, como tinha sido na sexta-feira, na emocionante vitória do Arsenal sobre o Leicester de virada.

Daryl Janmaat, lateral direito holandês, acabou deixando o campo machucado. Entrou o espanhol Kiko Femenía. O Liverpool tentava pressionar, mas sentia a dificuldade de um time que se organizava bem defensivamente. Até que veio a inteligência do time, especialmente de Mané. O senegalês saiu da ponta esquerda, veio para o meio, girou em cima da marcação, tocou para Moreno, que devolveu e Mané fez o corta-luz para Can. O alemão devolveu de primeira para Mané, na cara do gol, finalizar com a qualidade que é habitual: 1 a 1.

O gol de empate do Liverpool aos 29 minutos nem pôde ser comemorado por muito tempo. Pouco depois, aos 32, o Liverpool sofreu mais uma vez defensivamente. Moreno deu o bote errado em Amrabat, que ganhou no físico e tocou para Abdoulaye Doucouré, que abriu para a direita e, depois de um cruzamento rasteiro, a bola sobrou para o próprio Doucouré marcar, livre: Watford 2 a 1.

No final do primeiro tempo, Salah teve uma ótima oportunidade de marcar, em um erro de Holebas. Pela direita, o egípcio, que é canhoto, tentou dar de bico com o pé esquerdo, mas mandou por cima. O Watford ficou com a vantagem no intervalo.

Logo no começo da segunda etapa, Richarlison teve a chance de estrear pelo Watford. Roberto Pereyra deixou o jogo, machucado, aos quatro minutos da etapa final. Richarlison entrou. Para o seu azar, o jogo mudou de panorama e o Watford sofreu bastante nos minutos seguintes.

O segundo tempo teve uma postura diferente do Liverpool. Em desvantagem, o time melhorou muito e não demorou a empatar. Salah foi lançado pela direita, chegou antes de Gomes, que o derrubou. O árbitro marcou pênalti, que Roberto Firmino cobrou com categoria para marcar 2 a 2 no placar.

Melhor na partida, o Liverpool avançou para tentar a virada, que veio logo em seguida. Desta vez, Lovren saiu jogando bem, deu um belo lançamento para Firmino, que avançou com espaço nas costas da defesa, tocou por cima do goleiro e a bola seria tirada pela zaga, se Salah não chega para completar para o gol: virada do Liverpool, 3 a 2.

O Liverpool teve mais chances para ampliar o placar. Salah teve outra chance, com finalização que mandou por cima do gol. Aos poucos, o Liverpool diminuiu o ritmo frenético do jogo, de forma inteligente. Era o Watford que precisava correr atrás do resultado.

Klopp até demorou para mexer no time e renovar o fôlego. Primeiro, aos 36, tirou Firmino para colocar Divock Origi, aproveitando que o zagueiro Kaboul parecia sentir uma lesão e o Watford, sem mais alterações para fazer, teve que deixá-lo em campo. Origi, além de descansado, é um jogador de muita força física.

O jogo parecia controlado, mas nos acréscimos, em um escanteio, veio o gol de empate do Watford. Cobrança para a área, Richarlison finalizou, o goleiro Mignolet não conseguiu defender e, em cima da linha e completamente impedido, o zagueiro Brittos tocou para o gol. Um gol impedido, que é fácil de ver no impedimento, mas não tão fácil de perceber no jogo ao vivo. Seja como for, foi o empate do time da casa, que foi muito comemorado, inclusive por Richarlison, muito festejado pelos companheiros. O atacante, ex-América Mineiro e Fluminense, chegou como uma grande aposta do Watford.

O Liverpool precisa começar a se organizar melhor na defesa. Muito se fala sobre os nomes do time no setor, seja no centro da zaga, seja no meio-campo defensivo. Talvez o problema não sejam os nomes especificamente, mas a forma de se organizar. Parece que a equipe sofre por problemas de posicionamento e de inteligência na forma como fecha os espaços – ou não fecha, no caso. Algo que precisa ser cobrado de Jürgen Klopp, que tem o mérito de fazer o time mais forte ofensivamente na partida, mas ainda sofrendo mais do que um favorito, como o Liverpool quer ser, deveria.

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