Trivela

Alemanha

Joachim Löw possui uma trajetória inquebrantável pela seleção alemã. Não é imune aos questionamentos, mas o que fez à frente do Nationalelf desde 2006, quando deixou de ser o assistente de Jürgen Klinsmann para assumir o cargo principal após a Copa do Mundo, fala por si. Desde então, a Alemanha nunca deixou de disputar uma semifinal nas competições internacionais. Conquistou o Mundial de 2014, encerrando a espera de 24 anos. E em uma seleção de treinadores tão duradores, está a apenas dez jogos de igualar o recorde do mítico Sepp Herberger, campeão do mundo em 1954. O atual comandante já completou 157 partidas, com um excelente aproveitamento de 67,5% de vitórias. Pronto para ampliar essa história em 2018.

Nesta semana, antes do amistoso contra a França, Löw concedeu uma boa entrevista à Deutsche Welle. Falou sobre as suas tarefas como treinador, em um discurso leve, ressaltando como o verbo “antever” precisa ser conjugado em seu dia a dia. Exemplo claro em um momento no qual os treinadores das equipes nacionais estão bastante em discussão, especialmente depois do que aconteceu com a Itália nas Eliminatórias.

O futuro da seleção e o nível de competitividade

Vocês querem saber o que vai acontecer no futuro? Então eu preciso ir embora, porque não sou um vidente. Talvez nós possamos sonhar um pouco e filosofar, talvez um pouco sobre como nos tornar campeões do mundo novamente. Mas eu tenho algumas más notícias a vocês: podemos não ganhar em 2018. Apenas duas seleções conseguiram emendar dois títulos, e isso faz décadas. Talvez vocês possam explicar algo: o que é tão difícil em defender um título de Copa do Mundo? Jogar no mais alto nível requer um esforço tremendo, concentração e, acima de tudo, nunca desistir. Se você tiver sucesso, então é humano que você às vezes se sinta saturado. Você também pode perder essa fome, que significa que outros mais ambiciosos irão te derrubar do pedestal. Portanto, a tarefa mais difícil é sempre jogar no mais alto nível sem sofrer quedas.

As principais tarefas do dia a dia

Minha tarefa é prestar atenção em situações particulares, informar a mim mesmo para onde o futebol está indo e quais os últimos desenvolvimentos. Nós queremos sempre estabelecer tendências, da forma como for. Nós queremos estar um pouco à frente dos outros times. É por isso que nós olhamos para o futuro. Nós somos um tipo de visionários e às vezes consideramos coisas totalmente malucas, mesmo quando elas parecem um pouco absurdas. Mas queremos tentá-las uma vez. Do mesmo jeito, queremos manter a pressão consistentemente alta e estabelecer uma certa competição, porque no final é isso que conta para os pontos percentuais extras.

O que muda em relação à Copa de 2014 e a de 2018

As temperaturas talvez sejam um pouco diferentes. Foi bastante quente no Brasil e os horários das partidas também eram diferentes. Nós quase jogamos ao meio-dia. Nós não estávamos focados desde o início por causa do calor. Nenhum time europeu havia conquistado um título na América do Sul até então. O foco inteiro estava no Mundial e todo mundo queria chegar à final. Nós jogamos um pouco como favoritos. Na Rússia, talvez sejamos os principais favoritos, não há como evitar isso. Somos os campeões do mundo, ganhamos a Copa das Confederações, fomos bem nas Eliminatórias. A pressão sempre existe e eu acredito que será ainda maior na Rússia.

O sucesso pode ser planejado?

Até certo ponto. Sem planejamento, não haverá sucesso. Ao final, existem algumas situações nas quais a sorte e as influências externas desempenham um papel. Mas você pode chegar muito longe com um plano, um objetivo claro e consistência.

O papel do técnico

O papel de técnico é variado. Você tem várias tarefas. Para ser um visionário você precisa sempre olhar um pouco ao futuro. Como o time vai se desenvolver? Como devemos jogar no torneio? Obviamente, você também precisa ser a pessoa em contato com os jogadores, onde a competência social exerce seu papel. Eu sou um tipo de pessoa que deve liderar o time e necessita de um grau de relacionamento com os jogadores. Por outro lado, eu sou um relações públicas que precisa representar o time e o esporte ao redor do mundo. Multifacetado. Obrigado, Deus, que eu tenho uma boa equipe que me apoia em todos os aspectos.

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