Trivela

Europa

Voltar do banheiro para o seu assento em um estádio pode ser uma tarefa relativamente difícil. Tudo é tão igual. A menos que você saiba de cor o número do seu lugar, tenha ido várias vezes àquelas arquibancadas ou tenha algumas referências na cabeça, pode ser fácil se perder na hora de retornar ao seu lugar. Foi exatamente isso que aconteceu com o suíço Rolf Bantle no San Siro. Há mais de 11 anos. E seu retorno aconteceu apenas em 2015.

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Bantle, hoje com 71 anos, estava entre os residentes de um lar comunitário de Läufelfingen, na Suíça, que foram para Milão para ver o jogo da Champions League entre Basel e Internazionale, em 24 de agosto de 2004. Depois de ir a um dos banheiros do estádio, Bantle se perdeu ao tentar retornar para onde o grupo estava. Sem celular e sem o telefone de contato do lar comunitário, e apenas com 20 euros e 15 francos suíços no bolso, acabou permanecendo em Milão, vivendo nas ruas do distrito de Baggio. Por todo o tempo que passou na Itália, sobreviveu graças à ajuda de moradores, como uma mulher que se oferecia para lavar suas roupas e alguns estudantes, que lhe davam comida e cigarros.

Em entrevista ao jornal suíço Schweiz am Sonntag, Bantle conta que, com a liberdade que tinha em Milão e que lhe faltava no lar comunitário em seu país-natal, decidiu permanecer: “Não havia mais razão para eu retornar para casa”.

O suíço tomava banho uma vez por semana em um banheiro público e frequentava uma biblioteca local. A comunicação não foi um problema tão grande para Bantle, que durante um período de sua vida havia trabalhado com imigrantes italianos no ramo da construção.

O retorno à Suíça neste ano aconteceu por acaso. O suíço caminhava pelas ruas de Milão quando escorregou na calçada, quebrou o fêmur e foi levado a um hospital. Ao perceber que Bantle não tinha um plano de saúde, o hospital contatou o Consulado Geral da Suíça, que providenciou a viagem de volta do senhor para a Basileia.

Você pode estar se perguntando por que os familiares de Bantle nunca o procuraram o bastante para encontrá-lo, mesmo que em outro país, mas a infância difícil do suíço explica tal “falta de cuidado”. Bantle foi criado apenas pela mãe, sem saber quem era seu pai, e logo foi doado para uma família adotiva. Segundo o Schweiz am Sonntag, à época da viagem para Milão, o senhor não tinha nenhum parente. Com baixa educação e tendo trabalhado como operário boa parte da vida, Bantle teve problemas com álcool, que o levaram para o lar comunitário em que vivia em Läufelfingen.

De volta à Suíça, agora em um asilo, Bantle parece não só resignado, como também contente por ter retornado a seu país. “É legal aqui”, diz ele ao jornal suíço, falando de seu novo lar, onde tem vivido desde o meio do ano. Tem um quarto só seu, com as despesas todas bancadas pela governo, inclusive uma mesada. Sobre o tempo que passou em Milão, é sucinto: “Dez anos foram o bastante”.

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